The argument of knowledge against physicalism

(Portuguese text below/Texto em Português abaixo)

This time, what I bring is a discord between experts about knowledge versus physicalism. Is it that having the total information of something is sufficient without having had the experience with or of that something? Is physicalism, where all facts are physical facts, learned by exchange of ideas, sufficient for all possible perceptions of the same something?

Perhaps these questions had been around for some time, but it was with the philosopher Frank Jackson in 1982 that he invited everyone to do a mental experiment, called “Mary’s Room.”

This experiment involved a character named Mary and Mary in spite of having all the physical knowledge about colors and how they are transported to our brain so we can see them, Mary had never seen any color at all. Mary lived in a black and white room, the clothes were black and white, the books, the computer. Everything. Even though Mary could hypotetically see them, she lived a life without color. Until one day an image of a colored apple appeared on her computer.

Well, what Frank Jackson states is that even though Mary knew all about colors, on that day she first saw them, she learned something new.

And so having the knowledge of the physical facts is not enough.

This triggers thus, the argument of knowledge and results in… a discord. We have on the one hand, philosophers trying to counter Frank Jackson, saying that Mary having the full knowledge of colors will create the same mental state as someone who actually sees the world in color. However, the other half of philosophers interested in this subject, says that basing ourselves on physical facts described by words is not enough for the knowledge to be total.

If Mary actually learned something new when she saw the apple in color, the physical facts of a given object will not suffice and consequently there will be facts about the object that can not be considered physical, as Frank Jackson points out.

So how can these non-physical facts be characterized?

One of the possible responses to the existence of non-physical facts is qualia: perceptions or experiences that can not be crossed by two minds through words.

In spite of a vast and even exhaustive description of an object or event, the person who listens to us can never absorb our experience in the same way. Imagine that I am telling someone, as it was a certain experience to have fallen in love. Even if I try to describe it in a very detail way, the person can not effectively grasp all that I have felt with that event. And so do other feelings, colors, smells, tastes.

 It’s kinda like we are the only ones who could really know what we feel at that moment for that particular “thing”. Qualia is a first-person perception, whereas Mary’s perception was driven by a third-person account, in this case, science books. When Mary lives the event in the first person, this event becomes a qualitative state where it is referred to by many as a conscious state.

Thus, the theory of physicalism, already described here, in which a subject can not know everything through the exchange or absorption of ideas, for example, an empirical article gets contradicted. Basically, the subject needs first-person experience for full understanding.

It may seem very intuitive to respond to this experiment that you learn something new. Which was what I thought. However, this subject is still expanded to this day in various scientific debates.

Besides, and this is something that my professors have said a lot (and I believe yours too), we must always take into account all the theories and hypotheses covered in a given subject, whether they seem plausible or not. And one of the hypotheses that runs counter to the argument of knowledge is the hypothesis of ability, in which Lewis-Nemirow asks whether “it is possible for Mary to have all concrete knowledge?” For only an omniscient subject could acquire all the knowledge of the world, something impossible, and therefore, according to this hypothesis, Mary does not learn new knowledge, but instead acquires new skills, such as recognizing, remembering and imagining colors.

Perhaps, and notwithstanding our own opinions on the debate, this is a thought longer than at the beginning we believed it to be, but I take from the knowledge argument is that Mary’s physical knowledge is an objective knowledge, whereas when experienced by the first person is a subjective knowledge. This may lead us to think that reality itself and our mind are not purely physical.

O argumento do conhecimento contra o fisicalismo

Desta vez, o que vos trago é uma discórdia entre peritos sobre o conhecimento versus fisicalismo. Será que ao possuir a informação total de algo é suficiente sem termos tido a experiência com ou de esse algo? Será o fisicalismo, onde todos os factos são factos físicos, aprendidos por troca de ideias, suficiente para todas as possíveis perceções do mesmo algo?

Talvez estas questões já rondassem as nossas mentes durante algum tempo, mas foi com o filósofo Frank Jackson, em 1982 que convidou a todos fazerem um experimento mental, chamado de “O quarto da Mary”.

Este experimento envolvia uma personagem chamada por sua vez, Mary e a Mary apesar de ter todo o conhecimento físico sobre cores e como são transportadas para o nosso cérebro para as podermos ver, a Mary nunca tinha visto alguma vez, cor que fosse. A Mary vivia num quarto preto e branco, as roupas eram pretas e brancas, os livros, o computador. Tudo. A Mary apesar de as poder ver, vivia uma vida sem cores. Até um dia em que no seu computador apareceu uma imagem de uma maçã a cores.

Ora, o que Frank Jackson enuncia é que apesar de Mary saber tudo sobre cores, naquele dia que as viu pela primeira vez, aprendeu algo novo.

E por isso ter o conhecimento dos factos físicos não é o suficiente.

Isto despoleta assim, o argumento do conhecimento e…uma discórdia. Temos por um lado, filósofos, a contrariar Frank Jackson, referindo que Mary ao ter o total conhecimento das cores irá criar o mesmo estado mental que alguém que veja o mundo a cores. Porém, a outra metade de filósofos interessados neste assunto, refere que basearmo-nos em factos físicos caracterizados por palavras não é suficiente para o conhecimento ser total.

Se Mary de facto, aprendeu algo novo quando viu a maçã a cores, os factos físicos de um determinado objeto não serão suficientes e consequentemente, haverão factos sobre o objeto que não podem ser considerados físicos, como Frank Jackson aponta.

Assim, como poderão ser esses factos não físicos caracterizados?

Uma das respostas possíveis para a existência de factos não físicos são as qualia: perceções ou experiências que não podem ser cruzadas por duas mentes através de palavras.

Em que apesar de uma vasta e até exaustiva descrição de um objeto ou acontecimento, a pessoa que nos ouve, nunca poderá absorver a nossa experiência da mesma maneira. Imaginemos que estou a contar para alguém, como foi uma certa experiência ao ter-me apaixonado. Descrevendo ao mais pormenor detalhe, a pessoa mesmo assim, não poderá apreender efetivamente tudo o que senti com aquele acontecimento. E o mesmo acontece com outros sentimentos, cores, cheiros, sabores.

 É como que só nós pudéssemos saber realmente o que sentimos naquele momento para aquela determinada “coisa”. A qualia é uma perceção na primeira pessoa, enquanto que a perceção da Mary era conduzida por um relato na terceira pessoa, neste caso, livros de ciência. Quando Mary vive o evento na primeira pessoa, este evento torna-se num estado qualitativo, onde é referida por muitos ser um estado consciente.

Assim, é contrariada a teoria do fisicalismo, já antes aqui descrita, em que um sujeito não poderá saber tudo através apenas da troca ou absorção de ideias em, por exemplo, um artigo empírico. O sujeito precisa de experiência na primeira pessoa para uma total compreensão.

Pode parecer muito intuitivo responder a este experimento que se aprende algo novo. Por certo, foi o que eu pensei. Porém, este assunto é ainda expandido aos dias de hoje em vários debates científicos.

Além de que, e isto é algo bastante dito pelos meus professores (e acredito pelos vossos também), há que ter sempre em conta todas as teorias e hipóteses abarcadas num determinado assunto, quer nos pareçam plausíveis ou não. E uma das hipóteses que contraria o argumento do conhecimento é a hipótese da habilidade, em que Lewis-Nemirow questiona se “é possível a Mary ter todo o conhecimento concreto?” Pois apenas um sujeito onisciente poderia adquirir todo o conhecimento do mundo, sendo isto algo impossível e por isso, de acordo com esta hipótese, Mary, não aprende novo conhecimento, mas sim, em contrapartida, adquire novas habilidades, como reconhecer, lembrar e imaginar cores.

Talvez e, não obstante às nossas próprias opiniões sobre o debate, este seja mais longo do que ao início pensássemos ser, mas o que retraio deste argumento é que o conhecimento físico de Mary é um conhecimento objetivo, enquanto que quando experienciado pela primeira pessoa, torna-se um conhecimento subjetivo. Isto poderá a levar-nos a pensar que a própria realidade e a nossa mente não são puramente físicas.

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